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O papa é pop, mas você não, Chris Cornell!

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Chris Cornell fumou orégano. Ou comeu cocô. Só pode.

Explico: Cornell, um cara super aclamado (pelo público, pelo menos), que tornou-se ícone do ROCK à frente de bandas como o Soundgarden e Audioslave, resolveu lançar um novo cd solo. Mas diferente de Euphoria Morning (1999) e do Carry On (2007), que traziam baladas e muitos riffs de guitarra, Scream (2009), o novo trabalho do cantor, é inteiramente pop. E no pior sentido da palavra.

Conhecido por seus vocais rasgados e um timbre que deixa qualquer roqueira suspirando, o cara resolveu se juntar a Timbaland (logo ele!) e gravar um álbum que bem poderia ter sido feito pelo Justin Timberlake. Justin, inclusive, colaborou com Scream co-escrevendo e cantando em “Take Me Alive“. Viram como eu não estou exagerando? Batidinhas eletrônicas e elementos de hip hop substituem as guitarras que sempre acompanharam Cornell. É triste.

E quem fala isso é alguém que curte pop, mas que há muito tempo vem nutrindo algo pessoal contra Timbaland. Lembram da Nelly Furtado? Não a Nelly “Promiscuous Girl“, mas a Nelly “I’m Like a Bird“. Os álbuns Whoa, Nelly! (2000) e Folklore (2003) são dois dos melhores álbuns pop que eu tenho. São despretenciosos, bem produzidos, cheios de elementos alternativos (ora, até berimbau se ouve!), com letras bonitinhas e melodias fáceis. Pop em sua melhor forma. Não vendia horrores, mas era digno. Aí o que aconteceu? Alguém teve a brilhante idéia de convidar o Timbaland pra produzir o terceiro registro em estúdio da moça: Loose (2006). E foi aí que ela se perdeu mesmo. Ou foi aí que nos a perdemos, não sei. Sei que “Maneater” (She’s a maneater(!)/ make you work hard/ make you spend hard) em nada lembra a sutileza de canções como “The Grass Is Green” (But you opened up to me/ ’til i could only see the beauty in your dishonesty). É de chorar de decepção. E sabe o que piora muito as coisas? O multiplanitado Loose vendeu mais de 8 milhões de cópias ao redor do mundo. Isso dá muito mais que os números dos dois primeiros cds somados. O horror, o horror!

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Me recuso a falar da parceria de Timbaland com Madonna. Me re-cu-so!

Mas voltando ao caso do Chris, ele pode ter usado como exemplo a Gwen Stefani. Ela, que comandou o No Doubt (uma das bandas de rock mais populares do final dos anos 90 e começo dos 2000’s), abraçou o pop e a carreira solo com o lançamento de Love. Angel. Music. Baby. (2004), que foi incrivelmente bem aceito pela crítica e público, mas odiado pelos fãs do No Doubt. O sucesso foi tanto que o projeto, que resumiria-se apenas a um álbum, ganhou um irmão. The Sweet Escape (2006) reafirmou a veia pop da moça e suas escolhas certas na hora de fazer parcerias. Ainda não agradou os fãs do No Doubt, mas serviu pra satisfazer um monte de gente! Aos tristes fãs abandonados, bom, há sempre uma luz no fim do túnel: o No Doubt anunciou uma turnê de “reunião” para 2009 que vai passar por mais de 30 cidades americanas e trará à tira-colo a banda Paramore, abrindo os shows. Nenhum álbum novo em vista, mas pelo menos os fãs tem algum motivo para comemorar.

Certo, então por que o pecado do Chris Cornell é muito maior que o pecado da Gwen Stefani? 1) Chris cantava e fazia a mulherada suspirar. Homem. Rocker. Sujo. Até os marmanjos reconheciam o sex appeal do cara. Isso morreu. 2) Músicas da Gwen como “Cool“, “Rich Girl“, e “The Sweet Escape” que nem são lá tão boas assim (ok, eu confesso, “Cool” eu adoro) dão de goleada em qualquer música desse álbum novo do Chris Cornell. Aliás, minto. Tem uma música boa. UMA. A última faixa “Two Drink Minimum“, um blues gostosérrimo que foi uma parceria com quem? Com quem? John Mayer. Tá explicado, né? E 3) Falem mal da música da Gwen o quanto quiserem, mas os clipes dela são incríveis! Visual super vanguarda, direção de arte impecável, efeitos, cores, roupas. Estilo a moça tem de sobra e mostra tanto nos vídeos quanto nos palcos. Já o primeiro vídeo do Chris Cornell, bem… é melhor vocês verem:

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Agora compare com um vídeo da Gwen:

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Entenderam né? Enfim, não sou do tempo do Soundgarden. Não, a verdade é que nunca me liguei no Soundgarden, mas Audioslave me teve desde o primeiro single (”Cochise“) e me arrematou de vez com “I Am The Highway“, uma das minhas músicas favoritas ever.  Minha única esperança é esperar (rezar, suplicar aos céus) que o juízo volte a povoar a cabeça do Chris Cornell e, à exemplo da Gwen, ele volte ao lugar de onde jamais deveria ter sido: os becos sujos do rock.

3 Responses to “O papa é pop, mas você não, Chris Cornell!”

  1. Iluska Says:

    Chris Cornell… tsk tsk tsk. Em nada lembra seus tempos de “Jesus Christ Pose”. Não é possível que depois desse fiasco, ele não volte a si. E para escutar Soundgarden, eu, que ainda estou encaminhando nos meandros da banda, indicaria o álbum “Superunkown”, mais especificamente a música “Head down”. That’s Chris Cornell, baby.

  2. Lua @happymoon Says:

    ah, pelo amor de Deus, não acredito que ele fez isso =|
    *sad*

  3. Patrício Jr. Says:

    Excelente artigo, Lija, esxcelente. Chris Pop Cornell realmente é de doer. É como colocar Jurt Cobain em parceria com New Kids on the Block. he he he.

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