Battle Studies – Resenha Nada Imparcial

John Mayer apresenta um dos melhores álbuns de 2009
Eu prometi uma resenha detalhada (e nada imparcial) sobre o Battle Studies e aqui está ela. Faixa-a-faixa, o novo (e incrível) álbum do John Mayer:
“Heartbreak Warfare” abre o álbum com uma promessa bem clara: sente e relaxe, você está embarcando em uma viagem musical. A canção reverbera uma atmosfera de tranquilidade, mais ou menos a sensação que eu tenho quando ouço “Clarity”. Sabe aquele impressão que você pode ser transportado através do som? É assim que o cd começa.
“All We Ever Do Is Say Goodbye” é cheia de sentimento e muito me lembra “Daughters”. Com base de violão e apoio de cordas, a música conta ainda com um solo à la George Harrison da famosa Fender de Mayer. É o tipo de música que cresce na gente rapidinho, e eu não estranharia se virasse um single.
Taylor Swift colaborou em “Half of My Heart”, uma das faixas mais radiofônicas do álbum. Além de adorar a melodia e a harmonia do refrão, o que me conquistou foi a letra. Na verdade eu não consigo ouvi-la e não pensar que ela foi feita pra Jennifer Aniston (ex-namorada do John). “Down the road, later on, you will hate that I never give more to you than half of my heart, but I can’t stop loving you (…) with half of my heart”. Tá tudo aí, as reclamações de falta de atenção dela, a “imaturidade” e devoção dele… Enfim, dando continuidade: eu tenho a impressão que “Who Says” é uma música que não deve ser levada muito à sério. A melodia doce encobre uma letra até meio canastrona, que fala sobre drogas e mulheres que o cara nem sequer se lembra. Não deixa de ser uma boa canção, mas entre tantas ótimas, ela acabou perdendo força.
Acho que neste momento “Perfectly Lonely” é minha faixa favorita do álbum. Ela abre uma sequência de canções que são tudo que eu gosto em John Mayer: pegada bluesy, levada gostosa, voz rasgada e letra honesta. Ela soa incrivelmente familiar mesmo sendo diferente de tudo que ele já fez. Tipo, eu não consigo que ela lembra nenhuma outra música dele. E quando eu falei de letra honesta, eu quis dizer direta. A identificação foi imediata: “Had a little love, but I spread it thin (…) Tore up my heart, and shut it down / Nothing to do, nowhere to be / A simple little kind of free / Nothing to do, no one but me / And that’s all I need / I’m perfectly lonely / ‘Cause I don’t belong to anyone / And nobody belongs to me”.
Em seguida temos a incrível “Assasssin”, que é uma das faixas mais maduras do álbum, com uma sonoridade que me lembra muito Dave Matthews. Se eu falei que “Perfectly Lonely” abria a sequência bluesy do álbum, “Assassin” dá o clima perfeito. It’s sex on a stick, man.
Pausa agora no blues e vamos ao funk. Oi? É, na verdade é mais mas funky do que funk em si. “Crossroads” poderia perfeitamente ser cantada só pela guitarra do John e tem uma pegada dançante meio retrô super charmosa. É que a quebra de clima que anunciava a chegada de “War of My Life”, uma balada otimista e intimista. “Come out, angels / Come out, ghosts / Come out, darkness / Bring everyone you know / I’m not running / And I’m not scared / I am waiting and well prepared…”
“Edge of Desire” é uma mistura de “Gravity” com “Slow Dancing In a Burning Room”. Isso mesmo, as duas melhores músicas do Continuum juntas numa só. Eu chorei quando ouvi pela primeira vez. E é só isso que tenho a dizer.
Ainda de olhos marejados encaramos “Do You Know Me”, a menor música do álbum. São 2:30 de sutilidade e delicadeza. Tem horas que parece que Marisa Monte vai entrar cantando “Diariamente”. É o início do fim que se concretiza com a saideira “Friends, Lovers of Nothing”. Um pop-blues gostosíssimo que fala sobre as agúrias de não saber o que fazer com nossos sentimentos. Quase como um mantra, o final reafirma a velha máxima que blues bom se faz juntando os pedaços de um coração partido: “Anything other than yes is no / Anything other than stay is go / Anything less than I love you is lying”.
Conciso e fiel ao John Mayer que eu amo, Battle Studies é tudo que eu queria que ele fosse, e isso é a melhor coisa que uma fã apaixonada como eu poderia dizer. Saying anything less than “I love it” is lying.






November 26th, 2009 at 15:05 pm
Bela resenha. Traduz um pouco do que eu senti ao ouvir algumas das faixas, mas confesso que ainda não tive tempo de absorver toda a essência do álbum. Apesar de toda a polêmia em cima do Mayer, a qual diz respeito à sua conduta “fanfarrona”, o considero o melhor guitarrista da atualidade e quiçá um dos artistas mais autênticos e safos que já escutei. Temos que considerar o fato de que o cara foi super inteligente a ponto de conseguir reunir públicos distintos: as fãs que veneram sua vertente pop e seu esteriótipo; os guitarristas, jovens e adultos, que apreciam e se encantam com toda a sua espontaneidade ao tocar. E em meio a tanta inspiração, não podíamos esperar menos de Battle Studies, dando mérito também ao seu compartilhamento com os fãs durante toda a produção do álbum.
November 27th, 2009 at 14:19 pm
Ah… Sem contar que ele apostou numa Fender nada convencional: La Cabronita. Linda linda… Vários solos e bases foram gravados com ela, o que me impulsionou a ir atrás de um modelo desse, parece incrível.
=)